FILOSOFIA ESPÍRITA - VOLUME XVII

 

Questão 849 comentada

CAPÍTULO 33

0849/LE

FACULDADE PREDOMINANTE

 

A faculdade predominante no selvagem, certamente que é o instinto, impulso que parte de Deus para as necessidades do homem primitivo, como também dos animais. No entanto, ele evolui cada vez mais, de acordo com o crescimento do homem em busca da razão mais esclarecida. Mesmo assim, o instinto não desaparece no homem; ele se desenvolve, alcançando o estado que se chama raciocínio e se expressando como inteligência, de modo que a criatura se torna mais responsável pelos seus atos.

A razão, com o percorrerdes milênios, se transforma em intuição, que igualmente domina uma escala, até chegar ao ponto de a alma intuitiva do futuro não precisar mais da razão, por simplesmente saber, ou seja, a alma dispensará o raciocínio para concluir, porque já sabe.

A faculdade predominante no selvagem é o instinto, e a predominante no intelectual é a inteligência, que trabalha como razão na engrenagem da mente. O homem civilizado é mais responsável pelos seus atos do que o animal, destituído totalmente de raciocínio. No selvagem, a razão começa a desabrochar, assim como no civilizado existe algo de intuição começando a crescer.

A liberdade, mesmo relativa, nasce e cresce com a alma, dotando-a de algo mais, do que a natureza divina é pródiga. Porém, a liberdade diante de Deus é sempre relativa, porque dependemos do Pai para sempre. Quanto mais crescemos, mais fazemos a Sua vontade. Quando necessário, sejamos evoluídos ou atrasados, somos enviados para outros mundos, se precisamos buscar neles experiências que não podemos realizar na Terra. E é por mandato de Jesus que assim se processa.

Vamos consultar o Evangelho, em João, no capítulo dez, versículo dezoito:

Ninguém a tira de mim, pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para entregar e também para reavê-la. Este mandato, recebi de meu Pai.

O Espírito, quando é preciso, Jesus o envia para outras casas no universo, mas torna a buscá-lo, por fazer parte do rebanho que Ele tanto ama. Vamos trabalhar e compreender, para que as faculdades predominantes em nós sejam as virtudes espirituais tão afloradas nos santos quanto nos sábios. Esse é, pois, o caminho a que todos estamos destinados a seguir. Entrementes, não podemos desdenhar dos que se encontram na retaguarda, porque também nós outros passamos por lá, tendo recebido tantas bênçãos nos próprios desequilíbrios!

O selvagem é uma criança espiritual; o homem primitivo é quase igual ao animal, tocado pelos instintos mais profundos, mas, o tempo dota-o de melhores condições no correr dos anos, porque também ele é filho de Deus, dotado de todas as qualidades espirituais que os Espíritos elevados desfrutam agora no reino da luz. A criança, com a idade não se torna adulto? Assim é o selvagem de hoje; no amanhã, passará a ser civilizado, e depois espiritualizado. Essa é a lei de amor e de justiça, que olha a tudo que Deus criou com o mesmo carinho e a mesma graça.

Tu que te encontras na sociedade e és mais esclarecido do que o selvagem, ajuda-o, de modo que ele reconheça a necessidade de melhorar. Dentro dele existe, em germe, a luz que pode levá-lo ao conhecimento da verdade. Não percas a oportunidade de ajudar, porque tu também já foste ajudado por outros que estão à tua dianteira.

 

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